segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Incompleto.

Terça-feira : 08:30.
As vezes os dias me cansavam.Estava na eterna procura.Sentia-me desta maneira.Ao longo de minha breve passada pelo mundo dos vivos,vi que estava incompleta.Talvez a espera de um avassalador amor ou de uma profissão satisfatória.A questão era trabalhada por meu espírito de várias formas,porém ainda havia o que preencher.
A proporção que a idade aproximava,vinha em mesma intensidade a mudança de meus hábitos.A juventude primitiva era extrema de desagradável.Todo nosso futuro era rabiscado.Ninguém sabia quem era quem.E isso me deprimia no auge da adolescência.Graças a qualquer santo, que em algum momento pedi,os tempos mudaram.A revanche da história que sempre desejei,veio com total entrega à mim.Transformei-me em outra pessoa.Tudo fora calculado enquanto estive camuflada e naquele instante pude me fazer valer.Um pouco do que sou de alma.
Não evoluia apenas de forma física,mas também de espírito.Minha existência se encontrou de tal maneira no qual o processo parecia irreversível.As circunstâncias colocadas me obrigaram a encarar os inimigos de peito estufado.Ainda vivo essa gangorra parada.Gosto de minha vida atual.Faço coisas da natureza do meu ser.Vejo ela sendo formada a cada pequeno dia e isso me engrandece firmemente.
Sobre a tal procura sem fim,ainda continuo com a mesma sensação.Sei que vou viver coisas magníficas em minha passada.É uma certeza na qual não sei verdadeiramente de onde foi extraída.Apenas sinto ela se aproximando devagar e constante.Do jeito que me é característico.Seja lá o que vier,estarei completa com sua chegada.
Rafa Bernardino.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ócio do tempo.

As vezes fico a pensar,porque as coisas são assim?Olhando a rua, algo entristesse.Pessoas com seus enormes bolos de papéis na mão,com seus passos apressados,não ousam olhar para os lados.Sempre com aquele andar rápido.Imitam os outros no modo automático,sem nem mesmo estar com presa.Entretanto,alguém quer ficar para trás?É fato,a época moderna corrói tudo.E o tempo,absorve.
Permito-me comparar com um rio de água calmas.Tudo é leve na parte superior,mais quente,tendo vida e cores.Quando se dirige para as profundezas,torna-se gélido,com pouca biodiversidade e nada que chame atenção.É assim,o tempo que se vive hoje.Superficialmente inútil,com suas exigências macabras,apesar de aparentar leveza e liberdade.Tudo ilusório.Muito controverso dos anos que já se foram.Aqueles onde ''Maria'' era um nome diferente,que mulheres de calça eram rebeldes,que Plutão era um planeta,que cartas eram meios de se comunicar,que os cabelos tinham algo de natural,que festas eram bailes de máscaras e que se podia dormir com a janela destrancada.O tempo em que o superficial estava longe do ideal.
Meu enorme questionamento sobre o ''clic clic'' do relógio está obsoleto.Já passam de uma hora que se cria filosofia nessas linhas.Durante esse período,nasceram e morreram pessoas,sem dúvidas.E também,o homem que estava aqui na rua próxima,pendurou a bandeira para a copa.Quando comecei este texto,ela não estava ali.Por um momento,tudo agora é desesperador.Possuia absolutamente mais células jovens e meu ''futuro passado'' estava definitivamente mais distante.
E por fim,fica-se nesse ócio.As pessoas continuam apressadas e iguais as profundezas do rio.Ou igual ao homem que pendurou a bandeira.Nessa época de hoje,que tudo parece bom,que tudo parece profundo.Todavia,é tão rente que dá aflição.O tempo continua,vai passando por todos.Profundo ou supercial,ele passeia devagar entre a massa.A cada dia,a cada hora,a cada minuto,segundo,miléssimo....
Rafa Bernardino.

sábado, 22 de maio de 2010

''...dou dentada na maça da luxúria Pra quê? Se ninguém tem dó, ninguém entende nada .O grande escândalo sou eu aqui...'' Escândalo - Caetano Veloso.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Porque você está aí?Com essa cara de monotonia ninguém vai querer sua carne.Mexa-se ser imprestável.O que pensa que está fazendo parada nesse lugar fétido?Faça-se valer,afinal.
De onde imagina alguém te querer assim?estúpida!Levante-se.Seque suas lágrimas negras.Vá para o cortejo.Pegue as flores.Vá,com boca vermelha.Seja forte como aço.Use a luz negra dos seus olhos,poços de petróleo.Faça isso ou a sua piscina de ratos estará esperando.Não corra na direção contrária,não corra, pequena jovem.Seu destino é esse.Não fuja dele.Não fuja de si mesma.Não faça como eu..vá,vá ,mas vá na direção contrário,meu amor.E não volte,não olhe,não sinta,não respire.Não olhe para mim,enfim.Leve este livro contigo,cole-se à ele.Vê como sou estranha?Minha função é lhe mostrar o caminho do sofrimento,mas cá estou eu,fazendo pela primeira vez algo meu,de alma.Será a minha culpa e o meu acalento.Sei que és diferente dos outros vestidos e bocas vermelhas,que se deliciam em sorrisos de escárnio.Sinto colar-se às costas o início da noite.Ande,corra,corra!Pegue o vento e siga sua trilha de sangue, menina.O seu e o meu sangue.Agora sei oque é ter alma.Estou agradecida.Por fim.Eu.
Rafa Bernardino.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

''...Meu medo é uma coisa assim,corre por fora...'' - Pessoa - Marina Lima.

terça-feira, 18 de maio de 2010

''A partir desse momento,minha cabeça se encheu de estranhos pensamentos,e posso dizer,sem faltar à verdade,que eu não era mais a mesma.Depois de um tal cavalheiro dizer que estava enamorado e que eu era uma pessoa fascinante,como de fato ele me havia dito,eu não sabia mais como comportar-me.Minha vaidade subiu ao último grau.Com a cabeça cheia de orgulho e não sabendo da perversidade da época,não havia um pensamento que me salvaguardasse a virtude.E,se meu jovem senhor mo houvesse proposto desde o início,teria podido tomar comigo todas as liberdades que lhe apetecessem.Mas ele não compreendeu sua superioridade,o que me salvou nesse momento.''
Moll Flanders - Daniel Defoe.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Janela do entardecer.

Minhas inspirações surgem nos momentos mais impróprios.Agora,já nem sei mais o que escrever.Está frio lá fora,enquanto escrevo esse texto,a tarde se esvai pela janela.Está indo embora,não posso impedir.não posso.Espere,você já vai partir?está tão cedo,eu mal o vi hoje.Quando vou vê-lo de novo?incerto.incerto.Meu sangue ainda pulsa quente.Porque ele não fica frio também?tudo pega.tudo cola.tudo sinto.
Aquela janela,pela qual dei mais uma olhada,continua ali,sempre está ali.Ela não vai sair,concreta.demasiadamente.Não quero olhar outra vez,já sei o que vem.Entretanto,a sua luz já está indo,não parou com minhas suplicas.E vi,mais uma vez,a mesma imagem monótona da janela concreta.Sua paisagem que mudou,a emoção em seu retrato ,é o centro.Onde agora caí os últimos feixes de luz,e está preto.branco,e agora preto.Coisa louca.sangue pulsa.e nem sei.nada explica.Desaparecem as palavras.Anoiteceu,por fim.
e pronto.nostalgia.sem palavra.branco.branco na mente.preto.preto lá fora.faz sentido?
Está bem,irei voltar para onde estava,aqui o mundo está borrado.não vejo.não vejo.e não escrevo,enfim.

Seu jogo.

Você a vê ali?Está intocada,você consegue ver?consegue ver?Ela tem o vigor da juventude,ela possui isso.vê?És digno de não fazê-la perder isso?A moça está ali,protegida por seus obstáculos,os quais criou.Vai destruir,ter todo este trabalho para nada?Capricho talvez,vaidade?O que pensa que está fazendo!?Ela não precisa que você faça isso,consegue ver?Ela parece bem.
Tudo é perfeito,tudo parece perfeito.Está feliz.No entanto,o que mostrou a ela?Vai mesmo tirá-la da sua armadura?Como em um casulo,muito bem fechado,poucos conseguem abrir.ou ninguém.Entusiasmado,consegue entrar,e agora,e agora?Suas mãos estão coçando?Oque vai fazer?Incertezas não são válidos dentro do casulo dela.Porque o rompeu então?Tem algum apreço descentemente convincente?Ela está observando a suas passadas largas,de um lado à outro de seu casulo.Está deixando-a tonta,pare.pare.Respire.Decida.Faça.Não erre.não erre.
Seus segundos lá estão torturando.O ar está entrando em seu casulo.Era feito de seda,forte para os outros,não para você.Já pensou no que vai fazer?Está entrando ar,está se misturando ao ar límpido que tem em seu ninho de resgardo.Está ficando preocupada.Observa atenta.Para ela já basta.o ar..o ar... está sufocando.Sua dúvida foi fatal.
Game over.
start again?

domingo, 16 de maio de 2010

Costura.

E é tudo sem costura.Coisa solta.coisa solta.e cada vez mais parece confuso.Certezas viram dúvidas,e incertezas viram verdades.E nem sei porque escrevo isso no final.Don't trust me,honey.Você bem sabe do que digo,honey.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Parece bom.

Tudo parece bom agora.tudo parece calmo.tudo parece sereno.E as coisas ficam mais coloridas do que antes.E nada parece ser um real problema.É legal isso.